28.4.14

Aquele cômodo...

Hoje de repente me veio um clarão, uns fios de luzes que nao haviam passado antes na minha cabeça... e eu pude enxergar tudo de um outro angulo: do MEU angulo. Pude enxergar todas as lembranças do lado de cá... da perspectiva EU, e não da perspectiva NOS, nem da perspectiva VOCÊ.
Hoje um pedaço de toda essa confusão aqui dentro se expôs, hoje eu consegui pegar um vaso do chão e colocar em cima da comoda... um vaso, no meio daquele monte de tralha jogado no chão, misturado com roupas e móveis caídos, quebrados, naquele cômodo que você virou de ponta cabeça antes de fechar a porta, aquele cômodo onde deixei você se acomodar por tanto tempo, trazer suas coisas e mudar as minhas, aquele cômodo que chamam de coração.
Eu sei, algumas coisas ja estavam bagunçadas quando voce chegou, mas ilusão foi achar que voce me ajudaria colocar em ordem, e no fim das contas, fizestes o contrario.
Hoje depois da poeira acentuada, pude ver os machucados que voce me causou, machucados esses que até horas atrás eu preferia ignorar porque a vontade de ter você comigo era maior que isso...
Mas hoje a vontade de ajeitar meu cômodo SOZINHA é maior que tudo... a vontade de fazer dele uma area restrita, onde só eu possa fazer e desfazer, bagunçar e arrumar a hora que eu quiser, ao meu tempo, ao meu jeito... essa vontade é maior.

Hoje eu quero arrumar tudo, preencher todos os cantos vazios, trocar os lençois, abrir as cortinas, deixa-lo confortável... eu sei, talvez o próximo hospede revire tudo de novo, mas dessa vez vou me certificar de fixar alguns moveis no chão, que é pra ter onde repousar minhas certezas, minha esperança e o meu valor. Vou separar um espaço só meu, limpo e isolado, que é pra ter onde pisar sem precisar quebrar nada, nem machucar os pés.



T.L.G
(escrito em 07/04/14)