2.9.13

Sequelas.

Meus sentidos agora não funcionam, e o que sinto é indefinido, conturbado, medo primeiro, e uma avalanche de coisas em seguida, que não param de passar na minha cabeça, misturado com flashs de lembranças e traumas, sinto que estou fazendo tudo de novo, pisando em falso talvez, me maltratando a longo prazo, outra vez. Desviando da minha razão e dos novos princípios implantados após aquela brutal desilusão... porque não consigo mudar quando o assunto é amor? Porque não sei ser moderada? Porque não sei competir com a emoção? Porque ela sempre me toma por completo fazendo todo esse estrago psicológico e físico? Olha só pra mim, pálpebras e nariz vermelho, escrevendo desesperadamente, como uma dependente em abstinência... e desse mesmo jeito procurei meu fone de ouvido, papel e caneta... como se fossem meu ar.

Hoje tive que parar o carro... eu que sempre achei um ótimo radar dirigir enquanto a dor tenta adentrar, enquanto as lágrimas escorrem, enquanto as veias pulsam mais forte e os pensamentos invadem. Hoje não consegui controlar a respiração, assustadoramente rápida. Crise de choro, que ainda não consegui me acostumar, herança daquele desamor, eu sei.
Hoje a ficha que eu já previa, que eu já tinha ciência, resolveu cair bem em cima da minha cabeça, bem em cima da minha felicidade, me alertando do perigo existente em casa passo que tenho dado, em cada minuto que tenho dedicado, e cada parte de mim que tenho entregado.

Eu realmente não sei ser minha, sou feita pro amor, e quando encontro ele não sei fazer outra coisa que não vivê-lo, sem rédias, sem doses, sem limites... vivê-lo a seu modo, e não ao meu modo... eu não sei atrelar os meus conceitos racionais, com o amor incondicional.
O meu dom é se entregar, e minha fraqueza são os desfechos.




2.6.13

Aqueles dias em que você se pergunta quem é você, e pra onde esta indo...







Sim, eu ainda me faço essa pergunta quando me olho no espelho.
Vivo encontrando e desencontrando a resposta.

Incompreensível.

Esse teu modo de agir.
Essa tua atitude inesperada.
E o quanto tem se esquivado de mim.

Me sinto uma desconhecida, um corpo indiferente, uma presença não mais exigida.
Sei das tuas feridas, sei dos meus erros, e sei de nós...
Mas não sei mais qual sua intenção.

Não sei onde fomos parar, onde nossa amizade foi desaguar, e em qual parte do caminho decidiu jogar a toalha. Mas saiba você que eu ainda estou aqui - sitting, waiting, wishing - e espero que esse "momento certo" não demore, pois sua indiferença mata nosso valor aos poucos, e essa é uma morte que jamais desejo assistir.




'O que você não pode, eu não vou te pedir
O que você não quer, eu não quero insistir"

15.5.13

bem assim:


“O imprevisto acontece e alguém te encontra. E te reencontra. Te reinventa. Te reencanta. Te recomeça.”

— Gabito Nunes

8.5.13

A mente pira.
Se prepara para o tombo a cada degrau avançado. 
Indiretamente e conscientemente. Não há controle.
E os dias seguem ensolarados...

Sequelas.



"Fear can stop you loving
Love can stop your fear"  

24.4.13

2 meses de sol.



Dois meses de sorriso constante;
Dois meses de seus beijos e abraços apertados;
Dois meses que seu coração resolveu acolher o meu,
tirar a poeira da palavra "alegria", trazer o sol e reanimá-lo.


"... prefiro assim com você
Juntinho sem caber de imaginar
Até o fim raiar..."   



Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.


(
José Saramago)

20.4.13

No fim tudo acaba em lágrima.

Emotiva. Mesmo que perdida por algum tempo,emotiva ainda... sempre fui.

Todos os finais, meios, e até começos que vivenciei, foram acompanhados de lágrimas.

Me assusta esses últimos dias... tenho tido um controle infalível dessas gotinhas salgadas, isso quando elas não tomam doril. Não sei se me orgulho, ou se me assusto, como disse. 

É normal, sofremos diversas mutações durante a vida e as fases, mas aquelas que são involuntárias preocupam, porque foram inesperadas, forçadas e marcadas.


Hoje eu senti vontade de chorar, e não sei explicar, mas achei bom - ao mesmo tempo que ruim. Sentir é bom, seja lá o que for. 
Como já disse Martha Medeiros: 


"... porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la."

17.4.13

Eu não sei não me entregar... Me engano, me iludo, e quanto dou por mim, já sou sua.

25.3.13


Love is pain
And we'll do it again.
Estou agora ouvindo o grito ancestral dentro de mim:
parece que não sei quem é mais a criatura,
se eu ou o bicho. E confundo-me toda.
Fico ao que parece com medo de encarar instintos abafados 
que diante do bicho sou obrigada a assumir.
(...)
Nada existe de mais difícil que entregar-se ao instante.
Esta dificuldade é dor humana.
É nossa.
Eu me entrego em palavras...


(Clarice Lispector)
Eu queria te contar que agora não dói mais. Só que agora não importa tanto o que você vai pensar sobre isso. Queria que você soubesse que já vi nossos filmes milhares de vezes e nem chorei. Ok, chorei. Mas pelo filme, e não por você. Queria que você soubesse que tirei a poeira das nossas músicas, e que as ouço quase todos os dias. Porque elas me faziam mais falta do que você fez. Os nossos lugares não são mais nossos. Eu já voltei lá com outras pessoas, e escrevi lá outras histórias. Eu estou aprendendo a tocar violão. E a primeira música que toquei foi aquela música que era uma espécie de hino para nós dois. Ela é tão linda. E sim, ela continua sendo muito nossa e lembrando demais você. Mas ainda sim, não dói. Você não pergunta essas coisas, mas sei que gostaria de saber. Porque te conheço. E isso não mudou. Do mesmo jeito que adivinhei as coisas ruins que você aprontaria, eu sei as coisas boas que ficaram aí em você e te fazem lembrar de mim. Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais.


— Caio Fernando Abreu.

1.3.13

Vejo um vazio enorme no seu semblante, enquanto meus lábios se esticam num sorriso imensurável.

Hoje finalmente, depois de 4 meses sentindo ainda algumas dores aleatórias do vazio que tu me deixaste, depois de 4 meses te lembrando forçosamente em cada cômodo de casa, onde por quase 2 anos repousamos nosso amor, nossas loucuras, nosso sexo, nossas dores, sorrisos, lágrimas e abraços... Hoje depois de 4 meses absorvendo aos poucos, a cada manhã, a sua ausência e seus motivos insignificantes, depois de 4 meses tratando dolorosamente a ferida, cuidando e observando com cautela a sua cura, hoje finalmente, me sinto inteira.

Depois de toda essa metamorfose interna, toda essa turbulência externa, me sinto no controle, me sinto no lugar certo, na hora certa.

Depois de tantas lágrimas, hoje o que me resta são gargalhadas.
O grande prazer da liberdade, de peito aberto, mente limpa, coração manso, alma inquieta, desesperada por viver tudo, descobrir tudo e ser tudo... Mas agora é diferente, agora sou diferente.

Hoje finalmente, depois de tanto te evitar, em todos os sentidos, todas as direções e todas as possibilidades, vejo uma foto sua, recente, pelo acaso, e me sinto ilesa.


listening: 

31.1.13

Quando me encontrei comigo, eu estava de passagem. Gostei tanto de quem conheci que resolvi andar junto, lado a lado, dentro. Eu introjetei em mim aquela pessoa que, finalmente, não estava mais vivendo levianamente, mas participando verdadeiramente da realidade. Foi estando muito lúcida que pude me embriagar de arte e deixar minha imaginação inventar os caminhos que ela trilharia. Conheci paisagens, às vezes, muito familiares, mas o meu olhar era inédito.
Não sou mais imediatista quando me faço companhia, pois essa nova pessoa respeita o seu próprio tempo.Por isso, também é preciso evitar alguns lugares, pessoas, antigos hábitos e pensamentos. O passado só me cabe para servir como base para o que tenho me tornado. Cada dia eu amanheço numa página em branco e vou dormir numa outra cheia de coisas que escrevi e vivenciei. A única garantia é que nem sempre encontro o que procuro, mas sempre busco o estado e o lugar mais confortáveis para mim. Eu mereço experienciar esta fascinação pela vida e a liberdade de ser exuberante e transformar o chão em céu, o mar em útero, meu corpo em Templo. Respeito os que vivem de outro modo, porque meu caminho não é o certo nem o único, é o que eu escolhi para mim quando lancei mão do meu livre arbítrio.
E nasci apaixonada pelo amor, mas só agora, me fazendo companhia, é que ele deixou de ser uma palavra para se tornar uma experiência.
Sou muito grata por estar na esquina aonde eu estava passando e por ter me dado a mão. Caminhamos juntas: eu comigo mesma!


(Marla de Queiroz)

30.1.13





"And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it's
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denia

I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind... my mind...
'til I find somebody new..."

Não sou mais o que eu era, mas o que tenho me tornado.

29.1.13

I've got a right to be wrong

My mistakes will make me strongI'm stepping out into the great unknownI'm feeling wings though I've never flownI've got a mind of my ownI'm flesh and blood to the boneI'm not made of stoneGot a right to be wrongSo just leave me alone

I've got a right to be wrong
I've been held down too longI've got to break freeSo I can finally breathe

20.1.13

Antes de viver um novo amor nosso coração precisa de férias.

Pressa de viver as paixões, precário conhecimento dos parceiros e idealizações causam frequentes tropeços na vida amorosa, que machucam e desgastam. Nessa hora, em lugar de sair por aí à caça de mais uma relação equivocada, o melhor é relaxar, perdoar e esquecer os “ex”, repensar a própria história e ficar sozinho por um tempo, assimilando as lições das experiências passadas.

A busca do amor não é um percurso sem armadilhas e descaminhos. O sofrimento está sempre à espreita. Isso porque há, entre os seres humanos, muito mais desejo e amor irrefletido do que a preocupação em conhecer a pessoa que despertou esses sentimentos. E o desconhecimento, sabemos, é um perigo. Claro que as delícias afetivas e sexuais muitas vezes compensam os riscos e eventuais dissabores a serem enfrentados com um estranho. Mas às vezes os desencontros são tantos que o coração fica exaurido e sem esperanças,  implorando por férias! Cá entre nós, esta pode realmente ser uma boa ideia. Relaxar um pouco, repensar a própria história, curtir a vida de forma independente, exercer a solteirice e a disponibilidade são boas maneiras de curar uma desilusão. Além disso, conseguir ficar sozinho e bem durante algum tempo pode ser uma indicação tanto de saúde quanto de maturidade.

O fato é que o amor também pode maltratar. Sigmund Freud (1856-1939), o fundador da ciência do inconsciente, dizia que nunca estamos tão desprotegidos contra o sofrimento do que quando amamos, e que nunca nos sentimos tão infelizes do que quando perdemos o amor. Mas quem vai trocar uma paixão, mesmo que insensata, para seguir a sabedoria dos grandes pensadores? O coração é mais forte do que a mente, e esta dificilmente o pode controlar.

Há, naturalmente, aqueles que acertam nas escolhas. Algumas pessoas têm um incrível talento para conjugar amor e bom senso. Porém nem todos são tão felizes. Com frequência, a paixão “queima a partida” e sai na frente do conhecimento. É como se o “Messias” surgisse subitamente na pele daquele gato ou daquela gata, com a promessa de acabar com todas as carências e inaugurar um tempo de amor e felicidade.

Até mesmo quando as relações dão certo, há armadilhas a enfrentar. Como somos todos viúvos de relações imaginadas como perfeitas, as satisfações reais nunca parecerão completas. Essas fantasias de perfeição em nosso inconsciente estão na raiz da inconstância e da procura incessante pelo amor. Pior: a ideia do amor ideal não está só em nossa cabeça. Ela é vendida no mundo atual tanto pela televisão, quanto pelo cinema e pela publicidade. Tudo isso contribui para a intolerância e a insatisfação com os relacionamentos reais (às vezes, convém lembrar, eles são mesmo insustentáveis e é insensato tentar mantê-los).

É por todos esses fatores, e muitos outros, que o coração — velho de guerra! — às vezes quer um descanso! Mas não é fácil dar a ele as merecidas férias, como mostra a letra da música Aquela Velha Canção, de Marisa Monte  e Carlinhos Brown: “Confesso que fiquei magoado, eu fiquei zangado,/ mas agora passou, esqueci/ Não vou te mandar para o inferno porque eu não quero/ E porque fica muito longe daqui..."

Importante também dizer que essas férias de que falamos não podem significar um mergulho na vulgaridade dos tempos “líquidos” atuais, uma viagem ao reino das “periguetes” ou dos “perigueteiros”. A boa pausa é para meditação, não para a libertinagem. Quem realmente quer conceder uma folga ao coração precisa perdoar e esquecer os “ex”, aprender com a experiência, dela extraindo uma lição — quem sabe? —, que pode ser o prelúdio de um novo e exitoso amor.





(Fernanda Magalhães)

15.1.13

E a vida lá fora, me chama.

"Me dei mal, meu bem, ninguém escapa. Mas o bom disso tudo é que agora consigo abrir meu coração sem rodeios. Sim, amei sem limites. Dei meu coração de bandeja. Sonhei com casinhas, jardins e filhos lindos correndo atrás de mim. Mas tudo está bem agora, eu digo: agora. Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz. Descobri tantas coisas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor. Que viver um amor. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama."


Caio F.




- Você lê, e é lido. Perfeito!

11.1.13


Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.


(John Lennon)

9.1.13

Experiência de quase morte

Se você nunca passou, vai passar! E depois disso, acredite, você nunca mais sera a mesma pessoa.


- O dia estava lindo, ensolarado, nem um pouco propício para morrer, porém a morte pode estar em qualquer lugar, no óbvio ou no inesperado. E dessa vez lá estava ela num lindo disfarce... 
O mar é belo porém traiçoeiro. E no meio do prazer refrescante, da sensação de faxina na alma, das risadas e piadas, o chão de repente sumiu, a alegria deu lugar ao desespero, a visão foi se embaralhando, eu já não conseguia alcançar a mão das amigas, e na tentativa de ajudá-las a água nos arrastava cada vez mais. Percebi que minha força estava sendo tão vã quanto meu desespero, sentindo meu corpo fraco, fechei os olhos e pedi ajuda à Deus. Foram 3 anjos que salvaram nossas vidas!

Agente sabe que esse episódio durou apenas alguns minutos, mas me pareceu uma eternidade.

Já na beira da praia, sentada na areia com o pulso acelerado e a respiração irregular, vi minha vida começar de novo!
(Amigas, fomos abençoadas com uma segunda chance! rs)


Nunca imaginei passar por isso. E nunca imaginei que isso pudesse fazer bem:
Nunca me senti tão viva!


A vida vale muito, nunca se sabe por quanto tempo o coração estará batendo, não há tempo para lamentos, pois ela pode ser mais curta do que se imagina.

4.1.13

Vai (se foi) ano velho.

Vai, ano velho, vai de vez,
vai com tuas dívidas
e dúvidas, vai, dobra a ex-
quina da sorte, e no trinta e um,
à meia-noite, esgota o copo
e a culpa do que nem me lembro
e me cravou entre janeiro e dezembro.

Vai, leva tudo: destroços,

ossos, fotos de presidentes,
beijos de atrizes, enchentes,
secas, suspiros, jornais.
Vade retrum, pra trás,
leva pra escuridão
quem me assaltou o carro,
a casa e o coração.
Não quero te ver mais,
só daqui a anos, nos anais,
nas fotos do nunca-mais.

Vem, Ano Novo, vem veloz,

vem em quadrigas, aladas, antigas
ou jatos de luz moderna, vem,
paira, desce, habita em nós,
vem com cavalhadas, folias, reisados,
fitas multicores, rebecas,
vem com uva e mel e desperta
em nossso corpo a alegria,
escancara a alma, a poesia,
e, por um instante, estanca
o verso real, perverso,
e sacia em nós a fome
- de utopia.

Vem na areia da ampulheta com a

semente que contivesse outra se-
mente que contivesse ou-
tra semente ou pérola
na casca da ostra
como se
se
outra se-
mente pudesse
nascer do corpo e mente
ou do umbigo da gente como o ovo
o Sol a gema do Ano Novo que rompesse
a placenta da noite em viva flor luminescente.

Adeus, tristeza: a vida

é uma caixa chinesa
de onde brota a manhã.
Agora
é recomeçar.
A utopia é urgente.
Entre flores de urânio
é permitido sonhar.



(Affonso Romano de Sant' Anna)



Ps. Não podia deixar de publicar, mesmo que atrasado. Muito lindo.