23.12.14

Ele não veio

A curiosidade aguçada.
eu sem saber de ti, e nem lembrar mais o teu cheiro,
me deparei com uma foto sua,
sua com uma moça.

Fiquei esperando...
-de olhar fixo e medo entre os dedos-
o aperto chegar e abraçar meu coração.
Surpresa, olhei de novo,
olhei em volta e olhei pra dentro de mim,
tentando absorver...

Ele não viria!
Ele não veio,
e mandou no lugar um sorriso e uma alívio,
dizendo:
"querida, tu estás livre!"



TLG - 23/12/14

30.10.14

Migalhas

E me lembro do dia em que deitei irritada na sua cama,
pelo nosso sexo interrompido e seu mimo que eu esperava e não tive.
Você jogando, adormeci ali, sem perceber.
Acordei e vi seus olhos mirando os meus, de longe...

"Quer um copo de água?"

Era tudo que eu queria naquele momento, mas depois de você.
E estava tão carente de seus cuidados que aquele pequeno ato me trouxe uma ponta de conforto.
E naquele curto instante, fui feliz por dentro -com a sua migalha- sem nem poder transparecer, de tão pequena que era.




Tamara - 30/10

20.10.14

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces. Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida. E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada, que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado. Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas, serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


Vinícius de Moraes.

6.10.14

Um homem inteligente falando das mulheres

Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém.

Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. 
É coisa de homem sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro.
Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia.

Flores também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.
Respeite a natureza. Você não suporta TPM? Case-se com um homem.
Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia.

Não faça sombra sobre ela. Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado.
Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.

O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios.
Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.
É, meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay. Só tem mulher quem pode!


(Luís Fernando Veríssimo)

1.10.14



No meio do livro uma flor,
No meio da flor, um livro.

Amor de cinema

Que me perdoem os casais rotineiros, casais mais ou menos,
Que levam um relacionamento assim, tudo bem...
Que se contentam com o mesmo programa todo final de semana, pegam na mão um do outro tão naturalmente como se estivesse mascando um chiclete enquanto caminha, sentam no mesmo sofá todo domingo, assistem o mesmo seriado, comendo a mesma pipoca sabor manteiga e se acomodam com o mesmo beijo molhado de 2 minutos. 
Que escolhem sempre o mesma suíte naquele mesmo motel, ou por vezes nem mais motel.
Que se acostumam com o cheiro do outro, que se acostumam com as datas e comemorações, com as manias engraçadas que já foram motivos de risadas no inicio da paixão, que não sentem mais o mundo em slow motion durante aquele beijo, nem o corpo esquentar com o simples toque, que não se perdem nos olhares, sorrisos, e abraços, que não fecham mais os olhos nesses pequenos momentos e passam as horas ao lado um do outro como se elas fossem infinitas.
E que me perdoem os que são realmente felizes desse jeito, mas isso não se encaixa no meu mundo.


Eu quero amor de cinema, romance de livros, cenas de novela,
Quero clichês, loucuras, tapas, beijos e dramas.
Quero o intenso, o incompreensível, o bonito.
Quero aquilo que as pessoas dizem não existir na vida real 
(simplesmente por não acreditarem ou não começarem por elas mesmas)
Quero meu próprio roteiro shakespeariano em pleno seculo XXI. 
É! Porque se não for assim, qual a graça de se viver o amor?





[A Whiter Shade Of Pale - Procol Harum]

20.8.14

Estar consigo mesmo

‘Sobre estar só... eu sei.’
Não sei exatamente o que Marcelo Camelo quis dizer nesta frase...
Mas sei como eu, Tamara, a completaria:
Sobre estar só... eu sei: é muito louco/absoluto. É uma mistura intensa de todos os sentimentos e sonhos que carregamos.
Estar sozinho é necessário, e esse “estar” não tem período específico... Apenas: ESTAR.
Assim como cada ser é único e diferente, o espaço de tempo também.
Cada um encara a solidão como lhe é permitido encarar, de acordo com o limite de sua mente, ou de acordo com o limite que cada um decide impor, superficialmente, a si mesmo... tapando com peneira o verdadeiro infinito existente dentro de cada um. Seria medo?

                                                           SOLIDÃO.

Ninguém, ao ler essa palavra associa ela a um sentimento bom. Ok, excluindo a generalização: a grande maioria.
A verdade é que nascemos, crescemos e vivemos rodeado de pessoas, assistindo a cada ano de vida um padrão de felicidade exposto pela sociedade. E tudo bem, eu concordo em partes com esse tal padrão. Mas a questão (mistério, descoberta) é: há felicidade fora disso, também!
As ideias precisam ser expandidas. E em algum momento da sua vida, isso irá se fazer real.
Crescemos rodeados de pessoas e padrões, e temos receio da tal – abominada – solidão.
Troquemos então a Solidão por SOLITUDE.

Solitude: Estado de privacidade de uma pessoa, não significando, propriamente, estado de solidão.
Pode representar o isolamento e a reclusão, voluntários ou impostos, porém não diretamente associados a sofrimento.

Solitude é o isolamento ou reclusão voluntário, quando o indivíduo busca estar em paz consigo mesmo. Diferente da solidão que em sua essência é o estado emocional do indivíduo que deseja ardentemente uma companhia e não a tem.


Estar sozinho pode ser bom sim, desde que você abra sua mente, desde que você queira fazer disso uma experiência nova, sem receios, sem ridículos, sem padrões, sem julgamentos, sem limites de possibilidades.
Estar sozinho, é estar mais próximo de você mesmo, é encontrar as repostas de suas perguntas dentro de si mesmo, mas claro: depois de pastar em gramados alheios.
Estar sozinho é se amar um pouco mais, e doar um pouco mais de si mesmo a tudo que se faz, a tudo que se ama, a tudo que se deseja.
É ter sonhos de sobra, planos de sobra, e na maioria das vezes, condições de menos.
Estar sozinho, é ser uma sonhadora em plena luz do dia.
É não ter hora, data e local.
Estar sozinho é enxergar o mundo com outros olhos, com maior sensibilidade, é enxergar a si mesmo nas mínimas coisas em sua volta.

É querer sentir prazer nas pequenas coisas:
Como enfiar na boca uma colher do seu doce preferido.
Deitar na grama e observar as nuvens, criar desenhos, e rir sozinha de todas as besteiras e inteligências da criatividade.
Como assistir o seu seriado preferido enrolada no cobertor em dia de inverno... ou até mesmo um filme novo.
Fechar os olhos no banho, e sentir a agua caindo na sua cabeça.
Se enfiar debaixo dos 3 cobertores, em sua cama, naquele dia frio.
Cantar sua música preferida em voz alta, para toda vizinhança.
Criar algo com suas próprias mãos,
Comer um pedaço de lasanha em dia de domingo. Sim, esse é clichê, mas putaquepariu... como é gostoso.
Estou falando de sentir realmente as coisas, não apenas deixar que elas passem por você na rotina do dia-a-dia sem serem apreciadas o quanto realmente merecem, o quanto VOCE merece. Estou falando de fechar os olhos, e sentir, sempre que for possível.
Estar sozinho é ser seu próprio amigo, seu próprio amante, seu próprio karma.
É pensar em voz alta, e responder as suas próprias questões com respostas obvias mas que precisam ser colocadas em palavras pronunciadas em bom tom.
É ouvir sua própria voz.
É se dar o prazer de sentir prazer sozinha, sim, PRAZER, esse mesmo que você está pensando. Afinal se você não puder fazer isso por você mesma ou se não sentir liberdade com você mesma, como quem mais sentirá?

Permita-se.



TLG

19.8.14

Vidas interrompidas

Somos fracos. 
Sim, quando se trata desse assunto, todos nós somos.
Por maior que seja a sabedoria, o conhecimento, a aceitação... 
Não importa, a tristeza não costuma dividir espaço.

Não estamos prontos para a morte.
E nem sabemos se um dia estaremos.
Tão pouco para mortes prematuras, acidentais.
O seu avô morrer aos 80 e poucos anos, é aceitável, é o ciclo. 
A dor, claro, ainda é a mesma, a dor da perda não muda.
Mas a partida repentina de uma amiga ou familiar aos 20 e poucos anos,
Que ainda tinha uma vida pela frente... Não!

Não é aceitável, não é o ciclo, não está certo.
Mas afinal, quem diz o que é certo ou errado?
Qual é realmente o ciclo dessa vida?
Quanto tempo ainda temos até os ponteiros pararem de girar?

Vivemos sem saber se estaremos vivos daqui a uma semana,
Dormimos sem saber se vamos abrir os olhos no dia seguinte, 
Abraçamos sem saber se encontraremos os mesmos braços amanhã.
E apesar de termos consciência disso, nos esquecemos diariamente.

Você deu o melhor de sí hoje?
Aproveitou cada minuto do dia?
Arrancou um sorriso de quem te ama?
Gastou todos os abraços que podia? 
Desperdiçou um tanto desse seu amor aí?

...

A vida é imprevisível, e o tempo pode ser mais curto do que pensamos.
O amanhã é um cômodo de portas fechadas e luz apagada. 
Faça hoje o que puder fazer, diga o que quiser dizer.
Acorde alegre por abrir os olhos mais um dia.
Agradeça pelo simples fato de respirar.

Um dia de cada vez!

Como diz a música:
A vida é mesmo coisa muito frágil...

16.8.14

As manias que ficaram

Eu acho graça.
Me pergunto se isso é coisa minha ou acontece com todos.
Pego as manias, posteriormente.
Eu sei, pegar manias é comum, quantas vezes a gente se vê falando alguma palavra do vocabulário da amiga(o)?
Quando você convive com a pessoa, involuntariamente você acaba pegando as manias dela, e quando se dá conta já esta com alguns gestos iguais, algumas palavras iguais, alguns gostos iguais... normal. E isso não tem nada a ver com ser uma pessoa influenciável, ou ser maria vai com as outras.

Mas o engraçado - que reparei esses dias - é que: por vezes, ou por relacionamentos, ou por amor, desamor... Eu pego as manias depois da ausência da pessoa.

Já me ocorreu com amizade, uma vez, afinal, perder amizade é menos comum do que perder amores ou paixões. Ir e voltar sim, amizades vai e voltam, umas vem e passam, assim... coisas do tempo, da vida. 
Agora desamor nunca é tão simples assim, sempre é uma perda! Uma perda em qualquer sentido que você queira considerar, em qualquer área que você queira encaixar. É uma perda.

E após isso, tenho a mania -involuntária e curiosa- de herdar as manias da pessoa que se foi.
É estranho porque não é intencional, e nem imediato, é com o tempo.

Já havia passado por isso quando há dois anos atrás perdi o cara que achava que seria o pai dos meus filhos. E quando falo perdi, não é ao pé da letra, não é como quando por descuido você perde sua blusa ou sua pulseira preferida... É um perder de ser levado, da vida decidir recolher o que um dia lhe foi dado.

E hoje, parando pra lembrar, eu fazia/lia/reparava em coisas que esse cara também reparava/lia/fazia.
Passou! 
Hoje a única coisa -das manias- que carrego dele é o escrever -esporadicamente- em letras de forma... redondinhas, o E em formato de C com um tracinho no meio. Eu achava linda a sua escrita.

E então, há alguns dias atrás, percebi que de novo, peguei manias do meu ultimo desamor.
O engraçado é que não há intenção, quando vejo já estou fazendo.

E agora escrevendo tudo isso, percebo que se trata sim de uma coisa minha.
Acho que o meu eu usa isso como um aconchego!
Talvez uma maneira de achar que a pessoa está mais perto...
Ou talvez um ritual de recuperação, sei la.

E essa tem sido de longe a recuperação mais longa que já tive.
Porém de perto, a mais correta e mais valiosa.

Eu acho graça.

de tanto ser, só tenho alma

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa

14.8.14

Sobre descalçar os sapatos

Quem não quer pés aquecidos? Protegidos, confortáveis.

Delicia encontrar aquele par que te encaixa tão bem.
Você caminha e sente como se pisasse em nuvens de algodão,
Você pode caminhar pelo bosque mais frio, debaixo de garoa, em meio ao vento indelicado,
e nada disso realmente irá te incomodar, porque seus pés estão aquecidos.
Você sabe, uma vez que os pés estão quentes, todo o corpo se entrega a esse detalhe, e o resto já nem importa.
O nariz feito cubo de gelo, as pontas dos dedos enrijecidas procurando esconderijo.
Não importa. Esta tudo bem. É verão na planta do seu corpo.

Mas é chegado o momento em que os sapatos já não cabem mais aos pés.
As vezes por ter adquirido uma medida diferente,
As vezes pelo sapato já não estar mais em condições,
ou simplesmente, por ter encontrado um par mais aconchegante.
Há quem goste de trocar assim, sem receio, sem necessidade, só por diversão ou curiosidade.

O fato é: descalçar se faz necessário. Alguma hora se fará.
E quando isso acontecer, não persista, simplesmente tire-os.
Não é simples assim, nem nunca será.
Mudanças são, por vezes, assustadoras.
Mas porque insistir em usa-los se voce sabe que há um rasgo na sola?
Se sabe que entrará água, se sabe que ficará com os pés molhados e por consequência, com frio.

Para que apertar os dedos em um número que você vê que não te cabe mais?

Isso só irá machuca-los, fazendo com que seja invisível a possibilidade de um novo par.
Não há nada de errado em não o que calçar a todo instante.
Na falta de um belo par de sapatos, tome gosto por pisar no chão.
Espalhar os pés no piso, no concreto, na grama, na terra.
Sim, ficarão mais vulneráveis, o frio será mais intenso,
e qualquer brisa será tempestade de vento.

Aprenderás um novo jeito de caminhar,
Descobrirás novos atalhos,
Aprenderás a selecionar melhor as estradas.
Só experimente arrancar os sapatos.
Te garanto que tomará gosto pela liberdade dos pés.
Te garanto que eles tomarão outro formato,
Expandido, dilatado, talvez.
Passará a ser sua própria proteção,
Saberá se aquecer sozinho, e por vezes, a gostar do frio.
Até que um dia não terá mais noção do seu número,
Porque na verdade isso não terá mais importancia,
A liberdade será tamanha que talvez sapato nenhum sirva.

Portanto,
Arranque-os a qualquer momento que quiser sair do statos quo.
Arranque-os a qualquer momento que quiser sentir frio,
Arranque-os a qualquer momento que quiser aprender a caminhar apenas com a sua propria proteção,
ou apenas arranque-os sem motivo algum.
Porque mais importante que andar, é descalçar os sapatos.





tlg - 14/08/2014

7.8.14

Folhas de Outono

- Por que será as folhas caem? - você me perguntou, mantendo seu olhar fixo na árvore acima de nós, que derramava-se em formas amarelas e avermelhadas, no mesmo tom do pôr do sol, que fazia um espetáculo aos nossos corpos, ali estirados sobre a grama, naquele fim de tarde que dispensava frase alguma.

- Ouvi dizer que é pela falta de clorofila. Ou por causa de um tal de ácido abscísico que mata as células do pecíolo. - Eu respondi fazendo você rir e balançar a cabeça. Quase pude imaginar o que pensava, enquanto pousava sua mão quente sobre a minha, ligeiramente fria, e brincava com meus dedos.

Pra você parecia tão simples. Tudo, sempre. Mesmo perguntando o porquê, na verdade, você nem se importava com a resposta. Eu sim. A tempestade que há em mim nunca aceitou a simplicidade da sua aceitação em ver apenas o copo d'água. A criatura insana que sou, sempre foi do tipo que defende que "porque sim" não é resposta. Pra você, era porque sim. Quando eu insistia, você ria. E era tão lindo quando você ria, que eu nem queria mais saber o motivo. Eu só queria ser teu riso. Aqueles involuntários, doces, de canto de boca. Aquela sílaba que você não pronunciava direito e eu achava lindo, aquele relevo esquisito da sua testa.

Você dizia que eu era exagerada. E eu sou mesmo. Não aceito a simplicidade do sentimento, Não aceito pergunta sem resposta. Não aceito resposta que não encaixa. Eu tinha que te comparar com cada partícula do mundo, pra ver se você era grande assim só em mim. Pra fazer da tua grandeza só minha. Pra pousar tua mão quente sobre o meu coração que brinca de ser gélido, até você aparecer. Pro meu sorriso automático sair espontâneo. Pra eu parar de questionar os porquês do que não tem porquê.

Tenho uma ou duas daquelas folhas que caíram sobre nós naquele pôr do sol, quando eu afetava sua simplicidade com minha vastidão. Quando eu ainda conhecia apenas a teoria das coisas. Mas aí o tempo passou e eu tive que virar gente grande que aprende na prática. Aí eu tive que entender a resposta sem ter você pra explicar. Aí eu tive que aceitar que "porque sim", nem sempre as coisas exigem muita explicação.

Formulei minha resposta pra sua pergunta feita há tanto tempo, uma madrugada dessas, sentada na minha varanda, ouvindo o tipo de música que você odeia, vestindo aquele pijama velho que você cansou de ver: As folhas caem porque sim. Porque o inverno vem chegando e é preciso que a árvore, sozinha, economize toda sua energia para aquecer-se. As folhas caem porque as árvores não podem mais alimentá-las, se quiserem sobreviver ao inverno.

Entendi ligeiramente, sem esforços, que você e eu fomos folhas de outono. Caídas, por um amor que não pode mais nos alimentar. Um amor congelado no tempo, naquele seu beijo automático de despedida, naquela minha expressão facial que fazia você rir. No seu rabisco artístico na última folha do meu caderno de poesia. O nosso amor precisou descartar nós dois pra sobreviver. Pra continuar sendo bonito, pra florescer de novo, depois.

Há muitos como nós pelo chão. Há muitas folhas amareladas caídas que todo mundo acha bonito, mas não entende. Tem muita árvore também, tendo que deixar muito de si pra sobreviver. Quando pensei nisso, eu ri. Lembrando de você dizendo que talvez fosse melhor pra mim se você me deixasse ir. Como uma árvore que deixa de fornecer clorofila pra folhar desprender. Eu não escolhi cair, assim como você não quis me soltar por gosto. A gente só tinha que deixar a estação acontecer, com todas as perdas e dores bonitas que ela traz. Porque sim.

Hoje eu sou árvore, também. Tive que deixar muitas folhas irem. Muitas cartas com seu nome amassadas e jogadas fora. Muitas fotos espalhadas pelo chão. Muito amor vivo que absorvia tudo que tenho e sou. Eu tive que tentar te matar dentro de mim pra sobreviver. Porque já era inverno e eu não conseguia me aquecer sozinha. Porque a vida exigiu muito de mim e eu não tinha energia pra ficar firme e segurar um sentimento pendente. Tive que te deixar, também.

A gente faz tanto papel nessa vida. E eu comparo tanto cada coisa com o mundo. E troco tanto os personagens, que acabo nem tendo mais certeza do que digo. Sorte que a primavera vem logo depois do inverno, e floresce. Espero te ver florescer, também. Bonito, vistoso, como essas rosas que a gente tanto admira. Espero que suporte seus espinhos com graça, e que me faça sorrir, assim, só de ver.

Porque infelizmente, nem tudo muda com as estações. Por mais que a gente queira colher algumas flores, guardar em casa, no meio do livro, perto do peito, atrás da orelha. Em nossas mãos elas murcham.

Certas coisas - ouvi dizer que as mais bonitas - podem ser sentidas, mas não tocadas. Vistas, mas não colhidas. Amadas, mas não obtidas. Te fiz assim, como essas coisas bonitas. Nosso amor só sobreviveu porque nos deixou ir.

Te encontro em algum jardim, por aí, sorrindo, de longe, fazendo seu espetáculo longe das minhas mãos. Na vida nem tudo tem porquê. Nem começo, nem fim. Algumas coisas tem de ser, sem explicação...
Porque sim. 


[Ghiovana Christini]


- Simplesmente perfeito!

5.8.14

Sessão terapia

Decidir trilhar um caminho "sozinha" não é nada fácil, aliás só de escrever essa palavra diante de todo o contexto já tenho vontade de rir. Que piada! haha

Escolhas não são simples, e eu ando teimosa demais com a vida, indecisa também - e isso não é novidade - porém a teimosia tem se esparramado de um jeito de óh... 
Mas tudo bem... O que fazer senão me permitir ser o que essa fase louca exige de mim? 
Fase?
Vida!
Essa vida é louca! Olhe só, eu com 23 anos de idade, fazendo comércio exterior e me apaixonando pelo avesso disso. Como assim? Me descabelo diariamente em busca das respostas, o sossego anda escasso. Crise dos 20 e poucos, é o que dizem. 
- Hey crise, acho que já deu né? 

Desânimo bate violento as vezes, mas não perco a fé de que um dia todas as pontas soltas encontrarão destino. 

"Mas ela diz, que um dia a gente há de ser feliz, se Deus quiseeeeerrr..." ♫

Tentando me livrar de tudo que prende o riso, de todo pensamento exagerado, do desejo indesejado pela mente que é ligeiramente enfeitiçada pelo desejo - mal desejado -  do coração. 
Óh caos! Me canso de voce! Mas sabe, até que te gosto um tantin? Loucura! 
Acho mesmo que nao ando muito bem dos parafusos. Psicólogo? Já pensei... Mas quando pego um papel, uma caneta, e solto o play, faço minha própria sessão de terapia, by myself. Então pra quê?
Que minha loucura se entenda com o papel, a caneta e a música.

MÚSICA!

Quem precisa mais do que isso para exibir um sorriso no rosto?
Para trançar os pés numa dança involuntária?  
Para fechar os olhos e sonhar absurdamente?

Sim! Todos deviam fazer isso, apertar o play e viajar para outra dimensão, se música te proporciona isso, porque não aproveitar? Alem do mais isso alimenta a fé! Acreditar no que os olhos não podem ver, mas no que o coração deseja, no que a alma pode sentir.

Cansei dessa necessidade de me definir, de achar que tenho que me decidir. Talvez eu seja isso mesmo, uma mistura de tudo, um pedaço de casa coisa. 
Pra que me limitar a definição?
Criarei minha própria teoria! Porque não?
Não preciso ser palmeirense ou corintiana, posso ser as duas coisas se quiser.

Isso mesmo!
Quem definiu que só existe uma opção? 
Que só posso estar em um dos dois lados e não nos dois? 
Eu faço as minhas regras, e mudo-as quando quiser. Basta convicção das palavras, das atitudes, das loucuras.
Se você passa a acreditar, te aceitarão... ou te chamarão de louca, pouco importa! O que importa é você. O que te faz feliz. Mesmo que as vezes não faça muito sentido. Mesmo que suas atitudes pareçam insanas. Faça o que tiver vontade. Qual a garantia do amanhã?

Parei de tentar entender tudo ao redor, de querer me entender, entender o que quero dessa vida. Eu quero sorrisos, quero música, quero violão, acordes que tocam a alma... quero uma bateria, depositar a frustração dos dias, a energia boa, o desejo reprimido de gritar, nos pratos, na caixa, no bumbo, em tudo que os braços alcançarem! Ou simplesmente gritar.
Eu quero viajar, conhecer pessoas, lugares, cachorros, gatos, e todos animaizinhos que eu possa distribuir carinho. Eu quero acordar de bom humor, todo dia, quero flores na penteadeira, quero café fresco, quero mousse de maracujá sem limites, comer pacotes e pacotes de Skittles como se não houvesse dia seguinte. Quero pôr-do-sol, muitos! Quero uma grama limpa, pra deitar e rolar. Árvores para deitar a cabeça em seus pés e observar suas folhas caírem, criar desenhos nas nuvens, falar bobagens e inventar teorias malucas. Inventar um mundo só meu.

Eu quero tudo que há de mais simples nessa vida, 
e no entanto porquê tenho de complicar tudo?  (risos!)

A mente humana é realmente impressionante, uma ferramenta incrível, de difícil manuseio e deliciosamente perigosa.

É preciso paz, é preciso tempo.
Se concentrar no interno e deixar o externo.
Todas as repostas estão, sempre estiveram aqui, inside.
Basta fazer silencio.


[listening: Eddie Vedder - More than you know/Goodbye]

9.7.14

Meios disfarces falhos

Uma negação!
Definitivamente eu nao sei disfarçar, transpareço tudo, e todos percebem. 

Um arquear das sobrancelhas, 
Um olhar de canto, ligeiro, para baixo 
Uma respiração descompassada,
Um suspiro pesado "que saco"
Uma risada abafada, meia torta, escapada,
Um copo de cerveja degustado rapido demais,
Um olhar acidental denunciador,
Olhares evitados, evitando o desconforto da verdade,
Um torcer de labios discretamente para o canto,
Brincadeiras com pitadas de grosseria (classica)
A vontade de correr disfarçada de "tudo bem"
O "sai daqui" disfarçado em "então".

Não sei se as pessoas aguentariam minha sinceridade ácida.

O que sei é que formos disciplinados para isso: bons modos, educação demais, disfarces.
Politica da boa vizinhança, fazer a social.

O cabeleireiro cagar no seu corte e você não poder dizer "mas que porra é essa?"
Você ganhar uma meia no amigo secreto e não poder dizer "voce ta de brincadeira?" 
Provar o café de outra pessoa e não poder dizer "querida isso está imbebível"
Cruzar com seu ex e não poder dizer "tudo bem, mas ficaria melhor se vc sumisse"
Te perguntarem opinião sobre algo e voce não poder dizer "é.. ta meio bosta"
E por ai vai... 

Ok. Eu sei.
Ossos do oficio.
Mas que saber?
Eu nao quero mais ter que fazer esses disfarces mal feitos.
A partir de agora, esta decretado:
Que o verbo seja livre, ou que os passos sejam o opostos.

8.7.14

Eu bato o portão sem fazer alarde 
Eu levo a carteira de identidade 
Uma saideira, muita saudade 
E a leve impressão de que já vou tarde.



[Chico Buarque]

7.7.14

. . .

Aquela sensação...
de amor inacabado
amor interrompido
despedida não concluída
amor de reticências
que se perderam no largo espaço de tempo,
virando apenas pontos fora da sequência .          .          .

[tlg]

27.6.14




[so do what you must do
to find yourself]

Emoção: meu guia.

As decisões que tomamos baseadas na razão, e não na emoção, nem sempre são as mais certas - segundo o meu ser interior - mas quase sempre é o caminho menos doloroso.

Eu sempre fui mais emoção... 
Penso, repenso, penso de novo, e no final sigo a porra do meu coração. E tudo bem, eu aceito as consequências, se machucar tambem é estar vivo, e satisfazer suas vontades é o único jeito de saber se vai ou nao te fazer bem, mesmo que momentaneamente, mesmo que o efeito dure apenas um breve instante entre o sorriso e a lágrima, voce foi feliz no momento, e é isso que importa. 

Mas hoje, na viajem do fretado, sentada na janela, acompanhada da inquietação no peito, decidi que talvez seja a hora de pegar o caminho contrário, seguir a razão, só pra testar, só pra ver no que dá, só pra variar.
Eu realmente quero mudar de lado. E mesmo que seja apenas uma escapatória, um engano que dure pouco tempo, não há problema, porque é disso que o coração precisa agora - mesmo que breve - um instante de paz.

Vou seguir, deixando o que tiver de deixar,
não pensar em voltar, 
mudar o passo,
te perder pra me encontrar.


tlg

25.6.14

Eu começo por onde a estrada vai

Já vou, será 
eu quero ver 
o mundo eu sei 
não é esse lá 

por onde andar 
eu começo por onde a estrada vai 
e nao culpo a cidade, o pai 

vou lá, andar 
e o que eu vou ver 
eu sei lá 

não faz disso esse drama essa dor 
é que a sorte é preciso tirar pra ter 
perigo é eu me esconder em você 
e quando eu vou voltar, quem vai saber 

se alguem numa curva me convidar 
eu vou lá 
que andar é reconhecer 
olhar 

eu preciso andar 
um caminho só 
vou buscar alguém 
que eu nem sei quem sou 

Eu escrevo e te conto o que eu vi 
e me mostro de lá pra você 
guarde um sonho bom pra mim 

eu preciso andar 
um caminho só 
vou buscar alguém 
que eu nem sei quem sou




(Los Hermanos - Primeiro andar)

23.6.14

"As vezes parece que o universo quer ser notado. É nisso que eu acredito.
Acredito que o universo quer ser notado. Acho que o universo é, questionavelmente, tendencioso para a consciência, que premia a inteligencia em parte porque gosta que sua elegância seja observada. 
E quem sou eu, vivendo no meio da historia, para dizer ao universo que ele, ou a minha observação dele, é temporária?"


[John Green - A culpa é das estrelas]

22.6.14

A tal paz interior

Esses dias violentos tem formado furacões indomáveis aqui no peito.
Essa turbulência de acontecimentos e essa confusão de sentimentos tem me deixado louca.
Preciso ver o mar, a estrada, a natureza,
Preciso respirar novos ares, novas paisagens, novos perfumes.
Depois de tanto me perder, sinto que preciso me encontrar.
Preciso de um pouco mais de mim, 
Um pouco mais de paz.

29.5.14

Amor de bicho solto

deixar-se livre é dessas coisas mais bonitas que aprendi com as porradas que o coração levou. deixar-se livre significa muitas coisas, entre elas, que estar sozinha é bom, que estar com alguém também é bom, que esse “estar” pode ser de muitos jeitos e que “bom” é aquilo que te cai bem naquele momento.

não tem muito isso de “eu era assim, agora sou assim”, parei de ficar tentando definir demais as coisas numa tentativa de explicar pra mim mesma e apreender tudo o que acontece comigo. não que não seja importante refletir sobre sentimentos e situações, mas parei de tentar encaixar tudo em quadradinhos que fizessem sentido, resolvi deixar solto. e me vi assim, muito bicho solto também, nesse meio de caminho.

e bicho solto não significa, talvez, não se prender. significa deixar que os encontros fluam com mais liberdade, significa permitir a esses encontros a possibilidade de serem o que vieram pra ser, ainda que seja pouco, ainda que seja muito, ainda que seja diferente de tudo que eu já vivi, mas gosto de pensar que são o bastante.

libertador.

não tento convencer a ninguém de que esse é o melhor jeito de se levar, mas me pareceu tão bom por agora que, nossa, deu vontade de dividir. fazia tempo que eu não dividia isso de sentir, porque eu sempre deixava pra dividir o que era dor, o que era aperto, o que era sufocante e exaustivo, eu escrevia para transbordar. escrever com essa paz é muito novidade pra essas bandas de cá.

gosto de gostar assim e de estar assim. fico bem. demorei a descobrir que nem tudo precisa ser desesperado, ainda que não signifique que não será intenso.

nisso de ser bicho solto eu andei arrastando minha jaqueta jeans muito velha e muito cheia de caráter por mais lugares, conheci mais pessoas e tenho vivido meu tempo numa conta mais frouxa. e o espelho não mente: tá tudo bem agora.

não sei se estou bicho solto ou se sou bicho solto, mas gosto de pensar que bicho solto é como um passarinho que você não prendeu na gaiola, mas que sempre volta pra cantar na sua janela. porque, eu sei, eu sempre volto, mas gosto de pensar que agora eu não “preciso”. eu volto porque a vida me faz voltar, e nessas voltas, os encontros fluem, se desenrolam, mas o sentimento não é jaula mais. deixar livre – a mim e ao outro – é minha única resolução de ano novo.



Cintia Moraes

27.5.14

Cansei dessa gente que me manda ter mais calma.

Se você é daqueles que têm pressa e nem sabe de que. Daqueles que sentem com cada célula do corpo e sentem tanto que acham que pode morrer se for disfarçar que sentem. Permita-se.

Cansei de gente posuda. Gente que equilibra um cigarro em uma mão e uma bebida na outra. Gente que estufa o peito. E diz não sentir nada. E diz ser acima da dor. Cansei de gente corajosa que vive amortecida. É muito fácil ter coragem em outro planeta.

Cansei dessa gente que me olha de canto de olho. Como se eu fosse louca por gostar assim da vida. E gostar assim de encontrar os seus ossinhos do peito, como se eu pudesse entrar alí e quebrar tudo. E chupar seu coração. E nunca mais limpar a boca. E te provocar sendo absolutamente carinhosa e depois absolutamente escrota.

Cansei de quem gosta como se gostar fosse mais uma ferramenta de marketing. Gostar aos poucos, gostar analisando, gostar duas vezes por semana, gostar até as duas e dezoito. Cansei de gente que gosta como pensa que é certo gostar. Gostar é essa besta desenfreada mesmo. E não tem pensar. E arrepia o corpo inteiro mas você não sabe se é defesa pra recuar ou atacar. E eu gosto de você porque gostar não faz sentido.
Mas se você se pergunta o que está fazendo aqui, quando o trânsito pára, quando seu chefe puxa o saco do chefe dele que puxa o saco do chefe dele e quando umas seis da tarde dá uma vontade danada de berrar e se rasgar inteiro. Permita-se. Se você acha que no fundo mesmo, apesar de todas essas reuniões e palavras em inglês que só querem dizer que você não sabe o que está falando, o que importa é ter pra quem mostrar que saiu o arco-íris. Permita-se.
Porque eu não quero que você tenha essa pressa ao ponto de ajudar com as próprias mãos. Eu quero que você sinta esse prazer que chega aos poucos. E mata tudo o que há em volta.
E explode os relógios. E chega aos poucos ainda que você não saiba nem que é pouco e nem que é lento. Porque você morre. Se você prefere a vida quando se morre um pouco por alguém, permita-se.

Eu não faço a menor idéia de como esperar você me querer. Porque se eu esperar, talvez eu não te queira mais. Eu não faço a menor idéia de como é que se senta comportada e se concentra e se fala difícil e se é robô e se é distante. Porque eu só consigo te ver como bicho e te querer como bicho.

Eu não quero ir embora e esperar o dia seguinte. Porque eu cansei dessa gente que me manda ter mais calma. E me diz que sempre tem o outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo, se você puder passar a noite em claro comigo, de tanta vontade de viver esse dia e não esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum equilíbrio.
Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria ter alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos.



Tati Bernardi.

1.5.14

Eu nunca fui sua

Hoje eu percebi o porque não senti aquele desespero absurdo quando você se foi... Hoje vendo fotos e relembrando fatos do meu passado... percebi o que você realmente foi pra mim, percebi porque consegui me senti bem rápido demais, percebi o quanto me perdi nos meus pensamentos e o quanto consegui confundir a mim mesma com toda a turbulência de sentimentos: eu não te quero.

Hoje eu vi o que fomos um para o outro, hoje eu despertei de uma vontade superficial e vi que o meu querer você de volta, foi um capricho dominado pela saudade. Sinto falta do que nao vivemos. Eu não sei ser sozinha, mas nós não somos um para o outro.

Eu sei citar os porquês da gente não ter dado certo. 
Hoje depois de 3 meses e meio sem “nós” eu consigo enxergar muitas coisas.
Não teríamos durabilidade. Não estávamos inteiros ainda.
Faltou muito eu, faltou muito “nós”, faltou amar, faltou tempo.
Discrepância do destino...


Eu sei o quando me fez bem, o quanto me acrescentou coisas boas e quantos sorrisos gastamos juntos, mas a verdade é que nunca fui sua, e o seu amor nunca foi meu.



TLG

28.4.14

Aquele cômodo...

Hoje de repente me veio um clarão, uns fios de luzes que nao haviam passado antes na minha cabeça... e eu pude enxergar tudo de um outro angulo: do MEU angulo. Pude enxergar todas as lembranças do lado de cá... da perspectiva EU, e não da perspectiva NOS, nem da perspectiva VOCÊ.
Hoje um pedaço de toda essa confusão aqui dentro se expôs, hoje eu consegui pegar um vaso do chão e colocar em cima da comoda... um vaso, no meio daquele monte de tralha jogado no chão, misturado com roupas e móveis caídos, quebrados, naquele cômodo que você virou de ponta cabeça antes de fechar a porta, aquele cômodo onde deixei você se acomodar por tanto tempo, trazer suas coisas e mudar as minhas, aquele cômodo que chamam de coração.
Eu sei, algumas coisas ja estavam bagunçadas quando voce chegou, mas ilusão foi achar que voce me ajudaria colocar em ordem, e no fim das contas, fizestes o contrario.
Hoje depois da poeira acentuada, pude ver os machucados que voce me causou, machucados esses que até horas atrás eu preferia ignorar porque a vontade de ter você comigo era maior que isso...
Mas hoje a vontade de ajeitar meu cômodo SOZINHA é maior que tudo... a vontade de fazer dele uma area restrita, onde só eu possa fazer e desfazer, bagunçar e arrumar a hora que eu quiser, ao meu tempo, ao meu jeito... essa vontade é maior.

Hoje eu quero arrumar tudo, preencher todos os cantos vazios, trocar os lençois, abrir as cortinas, deixa-lo confortável... eu sei, talvez o próximo hospede revire tudo de novo, mas dessa vez vou me certificar de fixar alguns moveis no chão, que é pra ter onde repousar minhas certezas, minha esperança e o meu valor. Vou separar um espaço só meu, limpo e isolado, que é pra ter onde pisar sem precisar quebrar nada, nem machucar os pés.



T.L.G
(escrito em 07/04/14)

26.3.14

Dreams... fucking dreams.

Hoje eu sonhei que você voltava... me procurava.
Que nos encontrávamos na sua casa, que algumas coisas tinha mudado, inclusive seu quarto, sua casa, e seu jeito, mas seus olhos eram os mesmos. 

De repente acordei, me perguntando se era sonho, peguei o celular, e tinha uma mensagem sua de bom dia, como sempre foi, como havia de ser. Aliviada, voltava a dormir...

E acordei novamente, perdida assustada, peguei o celular, havia uma mensagem, abri e li: 
"Seu saldo esta baixo, aproveite e recarregue agora mesmo a partir de [...]" 

O coração se comprimiu à realidade.
Era sonho mesmo.




11.2.14

“Isso que é o amor no fim das contas,
pisar nos ovos na realidade. 
É felicidade, é dor, é gozo, é tristeza? 
Vai passar.
Aceito a impermanência das coisas.”

[Gabito Nunes]

6.2.14

Aceitação

Estava considerando o dia 18 de Janeiro o pior dos últimos tempos... só que não depois de hoje.

Hoje eu senti meu peito rasgando no meio, minha respiração carregada, meu cérebro paralisado, por causa choro angustiado e desesperado que tomou conta de todo o comodo, de toda a casa, que estava vazia, e se encheu dos meus gritos de dor.

Hoje tive todas as respostas que eu precisava, doeu e dói demais, mas eu precisava disso. 
O que não esperava, era ler meus pensamentos em suas palavras, eu senti como sua mão entrando no meu peito, arrancando tudo que havia escondido no canto escuro, para dar espaço a esperança, e tacando ali, na minha cara. Ao perceber que meu cerebro estava concordando com tudo, entrei em conflito, meu coração nao quis aceitar, pois concordar seria pegar o caminho contrário do que eu queria, mas a ACEITAÇÃO puxou a cadeira, e se acomodou do meu lado. E não tem dor maior, do que a dor da aceitação.

Eu que pensava que a próxima dor seria menor, porque já estaria calejada, QUE NADA, não existe experiências quando o assunto é dor de amor, digo, desamor!

Então chego a conclusão de que na verdade as dores serão cada vez maiores... Porque a nossa eterna esperança é encontrar alguem pra vida toda, eu disse ETERNA esperança, ou seja, a cada decepção a dor é maior... o que aprendemos é como levantar do chão mais rápido, ou talvez como curtir um pouco o chão geladinho, quem sabe ter uma visão diferente, mas a dor é gradativa e sempre será.

- Nem Frusciante está me salvando hoje... não to bem.

- Mas o que voce tem extamente?

- Amor... quer doença pior? rs

20.1.14

Não quero que seja eterno... Mas um pouco eu vou ficar.





Preciso ficar calada
Preciso me escutar
Saber um pouco mais de mim
E o que eu posso dar

Desculpe se você ficar zangado
Eu vou voltar
Pro mundo ser apenas uma
Quando eu lhe falar

Não quero que seja eterno
Mas um pouco eu vou ficar
Sentada aqui sozinha só
Para eu não me enganar

Não quero repetir um erro
Então me fecho sem pensar
Só lendo o que você me traz
Mas não vou me afastar