Que me perdoem os casais rotineiros, casais mais ou menos,
Que levam um relacionamento assim, tudo bem...
Que se contentam com o mesmo programa todo final de semana, pegam na mão um do outro tão naturalmente como se estivesse mascando um chiclete enquanto caminha, sentam no mesmo sofá todo domingo, assistem o mesmo seriado, comendo a mesma pipoca sabor manteiga e se acomodam com o mesmo beijo molhado de 2 minutos.
Que escolhem sempre o mesma suíte naquele mesmo motel, ou por vezes nem mais motel.
Que se acostumam com o cheiro do outro, que se acostumam com as datas e comemorações, com as manias engraçadas que já foram motivos de risadas no inicio da paixão, que não sentem mais o mundo em slow motion durante aquele beijo, nem o corpo esquentar com o simples toque, que não se perdem nos olhares, sorrisos, e abraços, que não fecham mais os olhos nesses pequenos momentos e passam as horas ao lado um do outro como se elas fossem infinitas.
E que me perdoem os que são realmente felizes desse jeito, mas isso não se encaixa no meu mundo.
Eu quero amor de cinema, romance de livros, cenas de novela,
Quero clichês, loucuras, tapas, beijos e dramas.
Quero o intenso, o incompreensível, o bonito.
Quero aquilo que as pessoas dizem não existir na vida real
(simplesmente por não acreditarem ou não começarem por elas mesmas)
Quero meu próprio roteiro shakespeariano em pleno seculo XXI.
É! Porque se não for assim, qual a graça de se viver o amor?
[A Whiter Shade Of Pale - Procol Harum]